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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Desmatamento tem alta na Amazônia em agosto e setembro, diz Imazon

Segundo ONG, aumento foi de 191% no último bimestre em relação a 2013.
Governo não divulgou dados do Deter referentes aos dois últimos meses.

 


O desmatamento da Amazônia aumentou 191% em agosto e setembro de 2014, em relação ao mesmo bimestre de 2013, segundo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém. Em termos absolutos, a alta foi de 288 km² para 838 km².
O levantamento é paralelo ao realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que utiliza o sistema Deter. O mecanismo do Inpe analisa a degradação (desmatamento parcial) e o corte raso (desmatamento total) da floresta nos estados que possuem vegetação amazônica (todos os da Região Norte, além de Mato Grosso e parte do Maranhão).
O dado mais recente do Deter foi divulgado em setembro, com números referentes aos meses de junho e julho, e já indicava aumento de 195% no desmate na comparação entre os dois meses de 2013 e 2014. As informações são utilizadas pelo Ministério do Meio Ambiente para controlar a devastação do bioma.
Calendário do desmatamento
Agosto e setembro são os dois primeiros meses do calendário oficial de medição do desmatamento, período que compreende de agosto a julho e está relacionado com as chuvas e atividades agrícolas.
De acordo com reportagem publicada neste domingo (19) no jornal "Folha de S.Paulo", foram monitorados 93% da área florestal na Amazônia Legal. Em 2013, o monitoramento cobriu uma área de 79%. Para fazer as análises, o instituto utiliza o SAD, sistema de alerta de desmatamento e degradação (veja a tabela no site do Imazon).
Procurado, o Ministério do Meio Ambiente informou que não comentaria os números do Imazon, mas enviou um quadro com dados anteriores do Deter e do Imazon, mostrando que os dois levantamentos já tiveram resultados discrepantes. O MMA afirmou que os dados oficiais do desmatamento na Amazônia são do Prodes (Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica por Satélites), sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgado uma vez por ano, em novembro. À "Folha", o MMA informou que decidiu publicar os novos números do Deter em novembro porque a leitura de dados contaria com imagens de satélite quatro vezes mais precisas, com o programa chamado Novo Deter.
Nos estados
Considerando os dois primeiros meses do calendário atual de desmatamento (agosto de 2014 a setembro de 2014), Rondônia lidera o ranking com 31% do total desmatado no período. Em seguida aparece Mato Grosso (26%) e o Pará (18%). Em termos relativos, houve aumento expressivo de 2.699% em Roraima e 939% em Mato Grosso.
Em termos absolutos, Rondônia lidera o ranking do desmatamento acumulado com 260 quilômetros quadrados, seguido pelo Mato Grosso (222 quilômetros quadrados) e Pará (152 quilômetros quadrados).
Em setembro de 2014, segundo o Imazon, o desmatamento concentrou em Rondônia (33%), Pará (23%), seguido pelo Mato Grosso (18%) e Amazonas (12%), com menor ocorrência no Acre (10%), Roraima (4%) e Tocantins (1%).
Degradação florestal
Em setembro de 2014, o SAD registrou 624 quilômetros quadrados de florestas degradadas (florestas intensamente exploradas pela atividade madeireira e/ou queimadas). A maioria (97%) ocorreu no Mato Grosso, seguido por Rondônia (2%) e Pará (1%).
Categoria fundiária
A maioria (59%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse, em setembro deste ano. O restante do desmatamento foi registrado em assentamentos de reforma agrária (20%), unidades de conservação (19%) e terras indígenas (2%).
Segundo o SAD, foram 73 quilômetros quadrados de desmatamento nas unidades de conservação em setembro de 2014. No caso das terrasindígenas, foram detectados 8 quilômetros quadrados de desmatamento.
Para calcular a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia, o governo federal e o Inpe utilizam o Prodes, que trabalha com imagens de melhor resolução espacial e mostram ainda pequenos desmatamentos. Sua divulgação deve ocorrer até o fim deste ano.

Fonte >> Globo.com

 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Ministra do Meio Ambiente diz esperar queda no desmatamento na Amazônia

Dados sobre área desmatada devem ser divulgados até o final do mês.
Em 2013, foram 5.891 km² de desmatamento, 29% a mais do que em 2012.

A ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, durante apresentação de balanço de sua gestão (Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil)
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou nesta quarta-feira (19), durante reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em Brasília, que espera que o desmatamento daAmazônia Legal em 2014 seja menor do que o registrado em 2013. Os dados oficiais sobre área desmatada devem ser divulgados até o final do mês, afirmou.
Em 2012, 4.571 km² da Amazônia Legal foram desmatados. Em 2013, o desmatamento aumentou – foram 5.891 km², um acréscimo de 28,8% em relação ao ano anterior. A ministra afirmou que “torce” para que a taxa de 2014 seja menor do que a do ano passado.
“Nós estamos trabalhando com a expectativa de queda, é isso que o Ibama me informa […] Teve um aumento ano passado, o mesmo aumento teve de 2007 para 2008 e depois caiu. O Ibama está trabalhando com fiscalização e com a Força Nacional de Segurança cumprindo e aprimorando os instrumentos de fiscalização. Não é suficiente, nós sabemos, nós precisamos acabar com a madeira ilegal”, afirmou Izabella.
A ministra negou que o governo tenha retardado a divulgação dos dados antes das eleições em razão de os números mostrarem aumento no desmatamento, segundo reportagem publicada pelo jornal “Folha de S.Paulo” em setembro.
De acordo com o jornal, o sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), identificou uma área desmatada de 1.626 km² de florestas na Amazônia Legal nos meses de agosto e setembro, um crescimento de 122% sobre os mesmos dois meses de 2013.
O Deter detecta desmatamento em tempo real e emite alertas ao governo. O último balanço foi divulgado em setembro, em relação aos meses de junho – que registrou área desmatada de 535,31 km² – e julho – quando a floresta perdeu 728,56 km² de vegetação.
A ministra disse que o balanço oficial do governo é baseado nos dados do Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes), divulgado no fim de cada ano pelos ministérios do Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia.
Não oficial
O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon, um levantamento não oficial feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, de Belém, apontou nesta semana nova alta na devastação da floresta amazônica em relação ao ano passado.
O SAD detectou 244 km² de área desmatada na Amazônia Legal em outubro de 2014. Isso representou um aumento de 467% em relação a outubro de 2013, quando o desmatamento somou 43 km².
Indígenas observam área desmatada na Amazônia para implantação de garimpo ilegal (Foto: Lunae Parracho/Reuters)
A ministra Izabella Teixeira destacou que a última previsão do Imazon, em 2013, apresentou uma taxa de erro de 228% em relação aos dados do Inpe. Segundo ela, “o governo não tem nenhuma restrição de publicação”, mas “são métodos distintos, com tecnologias distintas”, e, por isso, os números divulgados são diferentes.
Balanço
A ministra Izabella Teixeira entrou no Ministério do Meio Ambiente como interina, em 2010, no final do segundo mandato do presidente Lula, e permaneceu durante o primeiro mandato inteiro da presidente Dilma Rousseff (2011-2014).
Nesta quarta (19), a ministra fez um balanço sobre a gestão dela na pasta, na sede do Ibama, em Brasília. Izabella Teixeira afirmou que se sente com “a alma lavada e enxaguada” e disse estar “com orgulho” da gestão no ministério.
“Eu acho que entregamos um ministério, nessa primeira gestão, de uma maneira muito distinta do que nós encontramos e, realmente, em um patamar, no meu entendimento, ainda mínimo daquilo que é demandado pela sociedade […] Os últimos anos foram de agregar valor e não de perda, como muitas pessoas insistem”, concluiu.
Em relação ao balanço de áreas protegidas, Izabella destacou que foram contratados 111 planos de manejo (documento técnico para unidades de conservação) nos últimos quatro anos. Disse também que foram investidos R$ 170 milhões em 16 parques nacionais, para uso público.
Quanto à fauna no Brasil, a ministra afirmou que pela primeira foi possível reproduzir em cativeiro a arara azul, segundo ela, espécie “símbolo do país”. “Para quem se dedica a essa dinâmica talvez seja o melhor ganho do ano, é uma notícia tão importante quanto descobrir uma nova espécie”, disse.
Fonte: Globo.com